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Acabou.

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E então no final o grande propósito de tantas dores, sacrifícios, mortes, amores, separações, enfim tudo aquilo serviu para ensinar os personagens a simplesmente seguir adiante. Sendo mais específico, a Ilha é um lugar atemporal com vontade própria e força misteriosa incompreendida pelo homem, que ao mesmo tempo a possui em seu interior. Um pouco de divino, ou o milagre da vida. Esse lugar especial precisa ser protegido.

Cafona, mas assim como nossos próprios corações, a nossa alma deve ser protegida do mal, assim é a Ilha. Durante seis anos acompanhamos Jack, Locke, Kate, Sawyer, Hurley, Charlie, Claire, Sun, Jin, Ben, Richard, Juliet, Mr Eko, Walt, Michael, Desmond, Miles, Lapidus, Vincent e tantos outros que tiveram seu caminho cruzado pela Ilha que de personagens se tornaram pessoas com quem se importar. Se o objetivo de terem chegado ali era substituir Jacob, hoje sabemos que qualquer um deles poderia ser o “novo Jacob” e continuar no trabalho de proteger a Ilha. Jack o fez porque era o predestinado. Ele já havia andado no caminho cético da ciência e pela cegante e incompreensível luz da fé. Compreendeu pela dor que apenas equilibrando esses dois caminhos é possível ser feliz, e claro, com amigos por perto dando apoio. Por seis temporadas fomos enriquecidos com teorias de viagem temporal, signos de civilizações perdidas, a grande questão sobre destino e livre arbítrio para no final descobrimos que tudo era apenas o caminho de cada um até a grande luz. Por um momento a Ilha foi real para todos eles. Os do vôo 815 da Oceanic realmente caíram naquele lugar especial (por algum motivo real?) e as aventuras ali vividas foram reais. Os Outros, o povo do templo, a Dharma. Tudo existiu. Lições foram aprendidas e o final chegou. Jack cumpriu sua missão, passando a responsabilidade para Hurley, que também a cumpriu e possivelmente a passou para Ben Linus que passou para o próximo e assim por diante. Assim como eu e você, tudo chega a seu fim.

Mas se todo o aprendizado obtido sobre viver em equilíbrio para no fim seguir adiante até a incompreensível e cegante luz da fé deixando para trás a ciência e o tangível, não seria isso um pouco fora do roteiro? Para mim os últimos dez minutos de Lost foram decepcionantes. Lost sempre nos ensinou que as questões eram melhores que as respostas, e nessa temporada recebemos a mensagem de que perguntas só geram mais perguntas. Então para que jogar com respostas tão místicas, algumas delas nunca antes discutidas justo na reta final? Não acho que uma resposta ecumênica e sentimentalista fora a melhor escolha. O que mais não entendo nesse final é essa vontade de acabar ao melhor estilo novelão. Colocar um ponto final forçado, baseado nas lágrimas do espiritualismo realmente foi a melhor escolha? Que Lost sempre foi sobre pessoas nunca foi segredo para ninguém e os flashsideways serem a imagem do Purgatório para os amigos que estavam na Ilha é como se os próprios produtores nos avisassem “Isso vai acabar, portanto façam como eles, aceitem e sigam em frente!”. Tudo bem, aceitamos, mas e a coerência com a história antes contada? Somente a mensagem de que devemos cuidar daquilo que cativamos para levar um pouco dessa essência dentro de nós eternamente é válida, mas não da forma como foi apresentada. Lost para mim sempre foi algo pessoal, cada indivíduo tem sua interpretação, por isso prezo a série que se tornou uma experiência. Como sendo algo pessoal não o aceito e crio o meu:

“Jack é o novo Jacob tendo Sawyer como seu novo Richard. Os dois conseguem derrotar FLocke usando os poderes da Ilha com a ajuda de Desmond, o único capaz de descer à Luz sem ser afetado. Tal qual um gênio da lâmpada, o Fumaça retorna para dentro da Luz, deixando o corpo de Locke para poder descansar em paz. Com a derrota de FLocke as duas realidades se separam e apenas os envolvidos no vôo 815 tem a consciência universal dos acontecimentos”.

Mas infelizmente a realidade é uma messalina de baixo nível e unhas vermelhas pintadas há três semanas.

Claro, os últimos dez minutos de Lost não invalidam todas as outras cinco temporadas e muito menos esta sexta e última. Lost ainda é a série que movimentou os anos dez do segundo milênio, fazendo com que questões filosóficas, religiosas e científicas fossem discutidas até altas horas. Fora as discussões sobre legalidade e liberação de conteúdo através da internet. Lost veio para ser a Star Wars de uma geração confusa em fazer juízo de valores.

Meus parabéns a JJ Abrams, Demon Lindelof, Carlton Cuse e claro Michael Giacchino, que por muitas vezes amarrou as pontas da história com arranjos musicais primorosos. Vocês conseguiram pegar na mão dos fãs e questionar o que eles queriam na série. Foram  levantadas perguntas nunca antes feitas para uma nação inteira e quando essa audiência se acostumava com a situação, os produtores fizeram o mais simples, seguir a jornada os deixando-nos com mais perguntas ainda. Parabéns!

Seis anos se passaram e a grande pergunta que nos fizemos sempre foi Por que eles? A resposta já havia sido dada lá atrás, na terceira temporada. Fora da Ilha eles não passam de sujeitos imperfeitos, errados. Estão fadados a fazer as escolhas erradas porque assim aprenderam a ser. A Ilha representa esperança. Não só para eles mas para algo maior, inexplicável (por enquanto). Aprender a aceitar, deixar de lado. Aprender que nem tudo está sob seu controle e que as pessoas possuem livre-arbítrio, podendo decidir o que se tornar, que caminho trilhar. Podemos dizer que os personagens que menos se machucaram ou machucaram outros foram Rose e Bernard, que logo entenderam que a Ilha oferecia algo para eles, uma Luz amiga caso soubesse utilizá-la. Entenderam e aceitaram seus ensinamentos, mesmo sem compreender o porque, passaram a viver em harmonia com a Ilha deixando o caminho livre para aqueles que ainda necessitavam aprender o que vieram aprender pela dor. Este penúltimo episódio é o que já esperávamos. Desmond é o sistema de segurança da Ilha preparado por Jacob, por isso as regras não se aplicam nele, um coringa nesta viagem. Jack finalmente acorda e assume a posição de Jacob, se tornando o guardião da Ilha por tempo indeterminado. Descobrimos que ter o nome riscado da lista de Jacob nada significa. É apenas giz, podendo ser apagado e reescrito, tal qual o Livro da Vida que as Escrituras Sagradas nos contam que Deus possui. Seu nome pode ser escrito, apagado e reescrito. Seus atos é que dizem quem é você. Dizem que o dia da morte da pessoa é o mais feliz. Que é quando finalmente podemos dizer quem foi a pessoa, que nome ela construiu. No domingo ficaremos felizes com a morte de Lost, a série que construiu um belo nome para si.

E Ben volta a permitir que sua sede de vingança se apodere de sua mente, sendo os braços perfeitos de FLocke. Esse é o fim de Widmore, que teve a ajuda de Jacob para retornar a Ilha. Como dito acima, a lista nada mais é do que uma simples lista.

Será que este foi o fim de Richard Alpert? Nem o personagem nem nós merecemos um fim tão rápido e banal.

E então Kate? A decisão de ficar ou não na Ilha é sua. Quem é você?

Fora da Ilha vemos Desmond ainda ajudando os passageiros do vôo 815 da Oceanic a acordar para a realidade a que realmente pertencem. Seu objetivo ao acertar Locke era de auxiliá-lo, derrubando a teoria de que se ele morresse na realidade paralela algo aconteceria ao Monstro. Os planos de Des são outros.

Como pode o mesmo personagem mudar tanto? A atuação de Michael Emerson é impecável. Acreditamos que sem o contexto da Ilha Benjamin Linus pode se entregar ao amor e finalmente criar sua “filha”, a pessoa que ele escolheu para criar e reciprocamente receber amor. Sempre desconfiei que na verdade Ben amava Danielle Rousseau. Amo os dois Benjamins.

Ou FLocke sai da Ilha ou a destruirá. Destruir a Ilha? Será mesmo que é isso o que você quer, FLocke? Será que você consegue? A resposta somente no dia 23 de Maio.

E não se esqueçam do Dharma Day 3, que ocorrerá no dia 30! Mais informações aqui. Não sabe o que é o Dharma Day? Veja como foi o evento no ano passado no meu blog antigo.

O final é ótimo!

E a história de Jacob e seu irmão finalmente é revelada. Em partes, pois a mitologia deve permanecer e ser cult(uada)ivada. Ao longo de seis anos aprendemos que Lost é uma série cheia de camadas. Há quem assista e pare na camada da ficção. Outros a atravessam e chegam na camada da espiritualidade. Outro grupo ainda vai mais fundo. Esforçam-se em desvendar cada frase dita pelos personagens, cada livro citado, o significado do nome de cada personagem chave. Nomes que remetem a filósofos, pensadores ou até personagens bíblicos. Tudo isso para descobrir que o seriado nada mais é do que uma análise das relações humanas. A “fake mãe” de Jacob e seu Irmão nada mais é do que aquela que amava demais. Como mãe, não queria perder aquilo que não lhe pertencia. Não tinha noção de que somos todos criados para o mundo. Jacob foi forçado a aceitar o papel de curador da Luz que há na Ilha. Curador porque sua “mãe” já não tinha mais condições de fazê-lo. E por que fazê-lo? Qual o motivo de zelar por uma coisa que não se entende completamente? A mesma pergunta nos fazemos todos os dias: Qual o motivo de procurarmos sempre ter esperança? Qual o motivo de procurarmos sempre ter mais amor? Tais “luzes” podem ser benéficas e más. Esperança demais pode nos deixar cegos e fazer com que coloquemos todos os nossos esforços em algo irreal. Amor em demasia nos deixa fora da realidade, sendo capaz de nos colocar frente a tênue linha que há entre Amor e Loucura. O que aconteceu com Jacob foi exatamente isso. Por amar a “mãe” que o criou e por amar a Ilha, mesmo sem ter total noção disso, matou o próprio irmão e o transformou em um Ser cheio de mágoa, ódio e sentimentos ruins. Esse penúltimo episódio nos faz lembrar o motivo de Lost ser a série que mais provocou reações diferentes em todo o mundo. Uma série que ousa dar respostas e levantar mais questões em seu penúltimo episódio.

Alguém sabe que língua essas duas falavam? Latim?

Eu leio a “mãe” de Jacob e seu irmão como Taweret, a grande mãe e protetora.

De onde vem essa “mágica” da Ilha? Quem ensinou essa mulher a utilizá-la? E o mais importante, como ela sabe que os homens são maus e corrompem?

Qual a civilização que instalou a roda de burro? O povo do templo?

Não há como não ver os roteiristas e produtores da série brincando de deuses. Jacob é aquele que tem esperança e quer proteger. É o deus que olha de cima e vê que os humanos não são tão maus como lhe dizem. Seu irmão é o mau, o diabo que está no meio da humanidade e sabe que nesta criação pecadora há muito mais sentimentos escuros do que se pode imaginar. Usar seu livre arbítrio e viver de acordo com sua escolha, escolher em que acreditar, apenas expõe aquilo que há em seu coração fazendo com que seus caminhos sigam ou por trilhas pacíficas ou por trilhas tortuosas.

E esse jogo? Pedras brancas e pretas que realmente eram uma antiga piada para os dois irmãos. O irmão de Jacob diz que um dia ele (Jacob) poderia crias suas próprias regras em seu jogo. Esse jogo, peças e regras teria a ver com nossos Losties? Tenho certeza que sim. Interessante notar que Jacob sempre escolheu as pedras brancas e seu irmão as pretas.

Adão e Eva para nossos Losties. “Mãe” e Irmão para Jacob. O resultado de toda mentira é só tragédia.

De tempos em tempos eles renascem ou o pequeno Jacob que o Irmão viu era apenas parte de seu dom, que por acaso (se é que isso existem em Lost) é o mesmo dom de Hurley? Se pensarmos bem que diferença nos faz saber a verdadeira identidade da mãe de Jacob e seu irmão? A magia que há na Ilha? Será que é realmente importante saber de onde vieram os outros, ou até mesmo a “mãe” dos dois personagens mais intrigantes dessa história? Eu aposto no mistério e na sobrevivência da mitologia. Que dia 23 de maio chegue e nos surpreenda mais ainda.

Triste 😦

Candidato a ter uma segunda chance de vida. Candidato a ter uma segunda morte. Candidato a cumprir um voto. Candidato a zelar por todos. Neste antepenúltimo episódio temos a certeza de que Lost é sobre pessoas e o quão pesada é a conhecida frase “és responsável por aquilo que cativas”. Sayid aceitando que seu tempo ali acabou e se tornando o candidato a se sacrificar pelos outros. O manto do mistério parcialmente desvelado diante dos olhos de Jack, que agora entende que seu papel é proteger os outros do mal que FLocke representa. Infelizmente Jack ainda terá que enfrentar muitos problemas para conseguir a confiança de todos, principalmente a confiança de Sawyer. E nosso amado casal coreano, Jin e Sun cumprindo o voto de jamais se separarem novamente. Alguns podem dizer que este foi um ato egoísta da parte de Jin, morrer ao lado da esposa deixando para trás a oportunidade de viver com Ji Yeon, sua filha. Não vejo assim, o que leio é que Jin sabia que não teria chances de sobrevivência. Nem ele nem sua amada. O mais correto a fazer por aquela pessoa que saiu e voltou ao inferno apenas para encontrar sua amada era permanecer ao seu lado até o final. Uma cena tocando embalada por Michael Giacchino, mestre do som.

Difícil para Sawyer confiar em Jack. O homem que confiou no doutor na quinta temporada e teve a mulher que tanto amou morta. Como Sawyer aprenderá a novamente confiar no homem que, ao que tudo aponta é o candidato perfeito a substituir Jacob, é o que veremos nos próximos dois últimos episódios.Um pouco mais sobre Jack ter entendido as leis que regem a Ilha. Terá Jack entendido que tudo o que aconteceu foi uma armadilha de FLocke para eles? Desde o avião até o último segundo antes da bomba explodir? Creio que sim. E também acredito que as bombas no avião foram plantadas por alguém em comunhão com o Monstro de Fumaça. Tudo muito fácil e bem calculado. Mas comunhão com quem? O próprio Widmore? Ou será alguém que veio com ele?

Então quer dizer que o Desmond ainda está vivo? Posso levantar a plaquinha “Eu já sabia”? Mas o que quer dizer a última frase de Sayid: “Porque será você, Jack”? Será ele o escolhido a substituir Jacob? Ao meu ver, principalmente neste episódio, Jack reassumiu seu papel de Aquele que deseja concertar as coisas, da mesma maneira que vimos nesse flashside, um Jack Shephard que deseja concertar as coisas para melhor, colocando a escolha na mão da pessoa, e não forçando o que acredita ser o melhor acontecer. Se colocarmos o paralelo com o finado Jacob era exatamente assim que ele agia, deixando a pessoa usar seu dom, seu livre arbítrio.

Falando em flashside, que atuação carregada de tensão a de Terry O’Quinn! Aceitar a situação de estar em uma cadeira de rodas por ter “causado”, e aqui cabem várias aspas pois o imprevisto sobrevêm a todos, o acidente que deixou seu pai em estado vegetal. E pensar que isso acontece com mais frequência do que imaginamos. Agora nos resta saber se ele já tem consciência dos eventos ocorridos na Ilha ou se este será o final do personagem, amargurado, carregando uma cruz que não lhe pertence.

E sobre ter ou não a consciência dos eventos da Ilha, o que Bernard quis realmente dizer com seu olhar para Jack? Que ele se recordava de tudo ou o quê? O casal Bernard e Rose foram abençoados com a paz na Ilha por aceitarem a situação e seu papel no todo. Será que sentar e aguardar o desenrolar da história e agir apenas quanto lhe é solicitado, mantendo a humildade, é a melhor opção?

E Kate, realmente você é carta fora o baralho, nome riscado da lista de candidatos. Nem nós sabemos o motivo de você continuar na série. Diferente de Lapidus, que acredito que não morreu no submarino. Ninguém fala sobre ele ter perdido a vida e sinceramente acredito que ele ainda terá um importante papel nessa reta final.

Claire, o Rei Leão. GRRRAAAAAU!